O Salgueiro - Adilza Laydner de Castro

Beijado pelo vento, em redemoinhos,
erguias, para o céu, teu vulto nobre,
embelezando a curva dos caminhos
com rendas verdes num dossel de cobre.

Quantas vezes, ouvindo os burburinhos
de pipilos de amor, que se descobre,
eu relembrava enredos e carinhos
dos quais fui rica e hoje sou tão pobre.

Sentença amarga. Por cruel castigo,
a golpes rudes - decepado o abrigo
rolou na relva o rígido madeiro...

Que dura a sina nos reserva a sorte,
tudo que vive, pela mão da morte
há de tombar, assim como o salgueiro!

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